25 abril 2009

Shadow of the Colossus - PS2


Uma experiência única de jogabilidade e batalhas épicas em um jogo que pode ser considerado uma obra de arte.

Depois de alguns anos jogando vídeo-game, fica difícil encontrar jogos realmente surpreendentes. Com frequência encontramos jogos muito divertidos e que nos deixam impressionados com sua qualidade gráfica, sonora, etc. Como grande exemplo podemos citar os jogos de corrida, que desde o Enduro do Atari passam por reformulações constantes e atingiram atualmente o nível de simulação encontrado em jogos como Gran Turismo e Forza Motorsport. Porém, continuam sendo jogos de corrida. Ótimos jogos de corrida, mas dos quais cada jogador sabe o que esperar antes de jogá-los.

Quando dizemos “surpreendente” falamos de jogos realmente novos, que introduzem temas ou maneiras de jogar nunca antes experimentadas. Shadow of the Colossus foi aclamado pela crítica à época de seu lançamento, e mais de um ano depois vemos como os elogios ainda são merecidos.

Simplesmente não existe nenhum jogo que tenha oferecido uma experiência semelhante desde então, embora alguns jogos da nova geração de consoles (Wii, PS3 e Xbox 360) indiquem a possibilidade técnica de repetir a experiência. É realmente impressionante que Shadow of the Colossus tenha sido finalizado e lançado comercialmente, pois a idéia do jogo é tão ousada e absurdamente simples: um jogo sem história, sem motivos para derrotar os inimigos e com um personagem sem nome. Como poderia dar certo?

Em busca do desconhecido
O fato do herói nem mesmo ter um nome fortalece ainda mais a idéia de que esse jogo não é sobre encarnar um personagem. O personagem e seu cavalo são apenas os veículos para a experiência de jogo, para as sensações que o jogo desperta no jogador. Ao galopar pelo cenário – e o jogo só tem um cenário – a sensação é de extrema liberdade, pois você nunca vê ou imagina onde estão seus limites. Cada colosso deve ser procurado individualmente, tendo como pista apenas o brilho da sua espada contra o sol, que dá uma direção genérica de onde o próximo pode estar. A busca por vezes chega a ser cansativa, percorrendo grandes distâncias e passando por muitas mudanças no cenário.

E qual o motivo pra enfrentar esses seres gigantescos e que podem esmagar seu personagem com apenas um pisão? O jogo não diz. Caso você consiga exterminar os dezesseis colossos existentes no jogo, talvez você consiga reviver uma personagem feminina, que permanece morta (?) em um altar durante sua jornada. O jogo não deixa claro quem é a mulher, nem qual a importância dela para o seu personagem. Mas como resistir à simplicidade da história? É tão ingênuo e singelo que você simplesmente tem que ir em busca dos colossos, para saber o que acontece.

Uma espada, um arco, um colosso.
Os colossos variam de tamanho, entre grande, enorme e... colossal. Quando seu personagem encontra o primeiro deles, você vividamente experimenta a sensação: como eu vou fazer pra derrubar esse bicho? Novamente, com a ajuda do brilho de sua espada, você deve encontrar pontos fracos na estrutura corporal do colosso, onde você enterrará sua espada inúmeras vezes, até derrubá-lo. Para piorar, muitas vezes os pontos são na cabeça, o que significa que você deve escalar até o ponto indicado. E é aí que está um dos pontos fortes do jogo.



Cada inimigo tem seus próprios padrões de movimentação e ataque, requerendo observação e estudos prévios sobre como abordá-lo. Muitas vezes a solução inclui interação com o cenário, inclusive. Com a combinação certa de ações e fatores é possível fragilizar o monstro de alguma forma (colocando-o de joelhos, abrindo um caminho entre suas pernas, etc.), permitindo que você finalmente o aborde, normalmente na forma de uma escalada do seu corpo. Os colossos são sensíveis à sua escalada, e tentam chacoalhar você para fora, como se fosse uma pulga em um cachorro. Em vários momentos você não pode fazer nada além de se segurar firmemente e torcer para achar um ponto mais seguro antes que a sua stamina acabe.

Os controles das ações quando montado nos colossos são muito bons; segurar e se movimentar são feito de maneira bastante simples, bem como a utilizaçao das duas únicas armas que o jogo oferece. É ótimo não precisar lutar contra o colosso e contra os controles ao mesmo tempo. Fora das situações de combate os controles são mais complexos. São dominados somente com alguma persistência, e mesmo então alguns controles nunca serão exatamente fáceis, como guiar seu cavalo, por exemplo (ele nunca vira do jeito esperado e às vezes pára sem você querer).

Felizmente os esquemas mais complexos e menos responsivos recaem sobre partes tranquilas do jogo, onde você pode parar e pensar antes de realizar a ação. Ainda assim, eventualmente ocorrerão quedas de plataformas, requerendo que o personagem refaça caminhos longos. Frustrante na maior parte dos casos.

Com exceção do sistema de controle, todo o resto do jogo segue a linha de “menos é mais”: você nunca terá que preocupar com levels do personagem, upgrade de armas, power-ups e outros itens comumente presentes em jogos, pois estes simplesmente não existem. Nem mesmo o mapa serve pra muita coisa, sendo apenas uma representação estilizada e minimamente detalhada do cenário. Shadow of the Colossus foi feito para ser jogado como uma experiência contínua, sem interrupções de manejo do recursos ou do personagem. Até mesmo os saves acontecem de forma automática, depois da derrota de cada inimigo, e de fato não são exigidos em nenhuma outra parte do jogo.

Grandeza nos inimigos e na qualidade visual
Há mais de um ano, Shadow of the Colossus apresentou o que se acreditava ser o nível máximo de detalhamento gráfico possível no PS2. A opinião permanece válida; o jogo possui gráficos muito bonitos e adequados ao clima que procura estabelecer. O cenário e seus componentes são fundamentais na construção da ambientação, sendo que dificilmente são encontrados problemas de glitch, ou partes mal-acabadas. Tudo roda de maneira suave, ajudando a criar um mundo verossímil para o combate com os colossi.

O personagem principal possui uma movimentação muito natural, que se torna aparente em algumas partes do jogo (como quando ele está nadando) e pequenos detalhes que adicionam realismo (personagem ofegando, personagem tropeça quando corre). Sua montaria também parece se comportar como um animal de verdade, apresentando o comportamento esperado de um cavalo fiel. Em várias ocasiões é possível notar o corcel correndo ao lado do personagem, como se oferecesse ajuda, quando envolvido em combate com algum dos monstros.

Cada colosso é construído de maneira criativa, sendo extremamente detalhado para o seu tamanho (alguns são tão grandes que chegam a fazer parte do cenário). O nível gráfico ajuda na jogabilidade, pois você precisa olhar para cada colosso, a fim de descobrir as partes “escaláveis” de cada um. Muitos são constituídos quase que inteiramente de pedra, por exemplo, o que significa que você terá que derrubá-lo antes de poder escalar. Outros possuem muita vegetação aparente em seu corpo, indicando os caminhos da escalada de forma mais simples.

A única coisa que realmente faz falta são cenas pré-renderizadas, pois todas as partes de história são construídas em tempo real, com os gráficos de jogo. Alguns vídeos cairiam muito bem com o estilo de Shadow of the Colossus. Mas respeitamos a escolha dos desenvolvedores, que provavelmente não quiseram interromper a experiência de transição suave entre a queda de cada colosso.

Minimalismo sonoro e solidão
A trilha sonora, apesar de muito boa, tende a ficar repetitiva nos combates, pois eles podem ser tornar muito prolongados. Fora dos embates, praticamente não existe música, sendo que esta só aparece de forma tímida, para marcar alguns acontecimentos importantes (algumas partes orquestradas são imponentes). O silêncio predomina no jogo, sendo o trote do cavalo o efeito mais frequente. Embora pareça monótono, isso é essencial para sensação de isolamento e solidão que o jogo pretende passar.

A sensação de “outro mundo” é reforçada pelas vozes do jogo, pois a língua utilizada é desconhecida, feita pra não ser entendida “de ouvido”. Tudo se encaixa muito bem para a experiência única que Shadow of the Colossus porporciona

Mesmo após algum tempo depois de seu lançamento, Shadow of the Colossus continua sendo único na biblioteca de jogos do PS2. Se, em alguma circunstância, os vídeo-games podem ser considerados como arte, então Shadow of the Colossus sobressai como uma obra-prima, digna de admiração por sua ousadia de conceitos e estilo de jogo sem igual.

Tamanho: 5 Partes
Idioma: Inglês
Formato: Rar
Hospedagem: EasyShare (Megaupload)

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Um comentário:

will disse...

axei excelente a analise do jogo. gostaria de saber a autoria. valeu

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By Roger R. Gomes